Apresentação
Sobre educação escolar de qualidade e educação intercultural
Educação intercultural na escola do Ceará – um breve olhar
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Apresentação


Este projeto apresenta uma proposta de pesquisa e registro do patrimônio imaterial cearense das macroregiões do nosso Estado e democratização do conhecimento deste patrimônio levantado e registrado ao longo dos 26 anos do Miraira no IFCE, buscando contribuir e favorecer uma melhoria da forma de abordagem sobre diversidade cultural na escola do Ceará, considerando que o material publicado para estudo sobre o assunto até então é muito escasso.

Verificando que nos últimos anos o Governo Federal e Estadual vem investindo sobremaneira na inclusão digital, tendo inclusive projetado para até 2010 colocar banda larga em todas as escolas públicas, percebo que um banco de dados como este pode, provavelmente, ocupar a carência hoje de diversas publicações sobre a diversidade cultural do povo do nosso Estado. É importante também observar que o ambiente virtual mencionado pode trazer uma visitação constante a página do IFCE principalmente por professores e alunos cearenses do ensino fundamental, médio e superior.

Neste primeiro momento buscando apresentar a relevância do projeto convém refletir um pouco sobre qualidade da educação e escola eficiente, priorizando um olhar sobre a questão da diversidade cultural e como esta deve ser aplicada na escola considerando os princípios da qualidade e equidade em educação, utilizando o contexto da escola brasileira, em especial do Ceará e minha cidade Fortaleza.

O Brasil apesar de falar um único idioma, sem grandes diferenças de dialetos, constitui-se num país de grandes distinções étnicas. Apesar do nosso povo enfatizar apenas três matrizes culturais - índia, branca e negra - é importante destacar que cada uma destas se constitui de uma diversidade enorme de outras matrizes com características próprias de saberes e fazeres que dão um sentido singular a sua vida e ao seu existir espalhados nas cinco grandes regiões desta terra brasileira.

Quando falamos de matriz indígena nos referimos às diferentes nações como os Ianomâmis, Guaranis, Caiapós, Suruí, Xavante, Crenaque, Goitacazes, Bororos, Aimorés, Tupacmarú, Caetés, Carijós, Potiguaras, Maracás, Tamoios, Tupis, Cariris, Tapebas e Tremembés entre tantos outros com distintas concepções quanto ao modo de viver e ser. Ao citarmos negros, fazemos referência, na verdade, aos afro-brasileiros oriundos dos diversos encontros dos povos Banto, Jeje, Fanti, Fon, Hauçá, Ioruba, Ijexá, Gã, Malê, Nagô, Queto, Quimbungo, Malungo que o regime escravocrata possibilitou (BENJAMIM, 2003). Ao mencionar europeus, nos referimos não somente aos portugueses, mas também aos espanhóis, italianos, franceses, alemães, ingleses, poloneses, árabes, sírio-libanês e judeus, todos estes que aqui estiveram ou estão e favoreceram ou favorecem esta miscelânea de usos e costumes que marcam sobremaneira o povo plural que somos hoje. Assim, é importante destacar que a escola que queremos deve, entre tantas outras coisas, dar espaço principalmente para a valorização destes distintos pedaços de brasis estabelecendo também uma convivência intercultural com o mundo.

Sobre educação escolar de qualidade e educação intercultural

Segundo Miranda (2008), toda política educativa deve ser estabelecida dentro de três pilares essenciais: qualidade, equidade e participação. Uma escola oferece uma educação de qualidade quando alcança os objetivos e propósitos expostos em seu projeto educativo, quando atende e cobre a demanda educacional necessária da população, quando garante a promoção dos alunos com baixa repetência evitando o abandono escolar e ainda se os profissionais envolvidos possuem a formação necessária e garantem o trabalho coletivo que um centro de ensino como este exige.

Para Gadotti (1992), “uma educação escolar de qualidade deve criar as condições concretas, para que cada educando possa tornar-se um cidadão ativo na sociedade”. Um sistema educativo e cultural deve estar envolvido com a sociedade na qual está inserido e ter consciência de sua responsabilidade na promoção de mudanças positivas necessárias. Uma educação de qualidade é, antes de tudo, uma educação a que todos têm acesso, que adota o pluralismo, o respeito à cultura do aluno, que enfrenta o desafio de manter o equilíbrio entre a cultura local e a cultura universal (grifo meu).

É necessária sim, a construção da escola desde a diversidade para a igualdade, no entanto convém chamar a atenção para não confundir universalização da educação com uniformização, fazendo da educação para todos apenas uma extensão do modelo das elites, de um jeito apenas, de uma única maneira, encarando a diversidade universal sem valorizar o particular de cada aluno, sua identidade, sua diferença e o universo onde a escola se encontra, utilizando-se da valorização de diferentes culturas para dar um modelo único, uniformizador imposto pelos grupos dominantes.

O sistema educativo deve favorecer um modelo de educação intercultural beneficiando a convivência sobre uma base de respeito mútuo, estimulando a participação em pé de igualdade de distintas culturas, mantendo ao mesmo tempo o desenvolvimento de todos os alunos como cidadãos do mundo, porém conservando e valorizando sua identidade. Para Bolívar (2004), o interculturalismo prioriza a identidade local e uma educação aberta de modo pluralista, reforçando a função educativa de ensinar a viver juntos em meio a diversidade cultural e a várias mudanças tecnológicas em um fluxo constante de informações.

Ana Canen (2002) chama a atenção para a necessidade de formação continuada dos/das docentes que favoreçam ações pedagógicas de valorização à pluralidade cultural assegurando a representatividade de grupos étnicos-culturais da população em currículos não etnocêntricos, enfatizando um maior conhecimento dos alunos e valorização positiva dos mesmos, trabalhando no sentido de mobilizar expectativas positivas que promovam a aprendizagem de todos independente de raça, sexo, classe social ou padrão cultural.

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Educação intercultural na escola do Ceará – um breve olhar

Observando a prática pedagógica em educação intercultural nas escolas cearenses, diante de todo o exposto acima, encontramos numa breve reflexão alguns problemas a serem resolvidos como exponho abaixo:

  • Na busca de enfatizar as diferentes culturas nossas escolas têm desfavorecido o conhecimento dos saberes e fazeres do nosso povo;
  • Praticamente inexistem publicações sobre o patrimônio imaterial do Ceará que facilitem um reconhecimento das práticas culturais dos nossos 184 municípios, desfavorecendo assim uma conscientização docente para valorização destas junto aos alunos de cada lugar;
  • Os livros utilizados em sala de aula são geralmente oriundos da região sudeste que tem realidade distinta;
  • Práticas culturais de índios e negros da nossa terra são desconhecidas pela escola, no entanto se destaca e se dá ênfase aos de outros estados, países e/ou continentes;
  • Percebe-se uma dificuldade muito grande da valorização local diante do global por parte das ações pedagógicas docentes e os cursos de formação de professores não conseguem resolver o problema.

Diante dos pontos abordados, seria conveniente observar que na prática pedagógica a escola cearense vem cometendo equívocos no momento em que planeja o seu projeto pedagógico com base numa educação intercultural valorizando a diversidade e, no entanto, vendo esta bem além de si mesma, onde apesar de favorecer o inter-relacionamento e convivência de todos, deixa de destacar as características, elementos e sinais de pertencimento que fortalecem a identidade de cada aluno.

Assim, a escola, que é quem possibilita um sentido de valor do que serve e do que não serve junto aos/as alunos/as, infelizmente tem contribuído para uma desvalorização dos saberes da comunidade e da família local, na forma como estes não são abordados ou destacados na prática docente. Em meio à pluralidade brasileira existe uma face cearense que tem sua própria marca e cabem às nossas escolas destacá-la, não numa supervalorização monocultural e tampouco para formação de guetos, mas sim para fazermos parte destes diversos pedaços de brasis, na busca de uma educação de qualidade com igualdade e participação, sem perder o rumo do povo que realmente somos. Este projeto busca contribuir para minimizar os problemas expostos, na forma como visa disponibilizar de maneira fácil conhecimento sobre a diversidade cultural cearense para uso como atividade de estudo docente e/ou discente.

Objetivos

  • Implantar um ambiente virtual em conjunto com a DITI, que congregue informações diversificadas com textos, músicas, imagens, vídeos, falas, gestos, resultado de estudos, documentação e registro etnográfico de manifestações de natureza imaterial cearense, realizadas por participantes do grupo de estudo, alunos do Curso de Especialização em Cultura Folclórica e outros pesquisadores interessados, de forma que possa funcionar como um museu vivo acessado on line principalmente por instituições educacionais, pesquisadores, estudiosos, estudantes, professores e também interessados em geral.
  • Contribuir para o reconhecimento do Patrimônio Imaterial do povo cearense na escola pública principalmente, por meio do IFCE.
  • Democratizar conhecimentos e estudos sobre o Patrimônio Imaterial do Ceará.
  • Favorecer, facilitar, orientar professores da rede pública de ensino para uma educação patrimonial e educação intercultural eficiente na escola cearense principalmente.

Desenvolvimento

O projeto se desenvolverá por meio de ação compartilhada entre o Grupo de Pesquisa em Cultura Folclórica Aplicada e a Diretoria de Tecnologia da Informação. Ele terá cinco grandes ações: a primeira que é a de organizar, selecionar e estruturar o que já foi documentado, registrado por meio de estudo realizado anteriormente; a segunda que consiste na criação, elaboração e implementação experimental do ambiente virtual de acordo com as características necessárias junto a DITI; a terceira que é o lançamento em caráter experimental para análise se atende ao que foi proposto, as devidas correções, adaptações e ajustes; a quarta que é o enriquecimento do ambiente com banco de dados do que foi coletado, informado pelos municípios durante o selo UNICEF e projeto SECULT itinerante realizado pelo Governo estadual no período 2005/2006 e quinta que é o lançamento oficial para as escolas públicas com divulgação compartilhada entre o IFCE, prefeitura da cidade de Fortaleza e Governo do Estado do Ceará.

Destaco que toda a disponibilização do registro levará em conta o respeito e a preocupação com a proteção do direito difuso e coletivo relativos a preservação e ao uso do Patrimônio Cultural Imaterial recomendado pela UNESCO. Só será inserido no ambiente virtual manifestação que tenha a anuência dos detentores e produtores por escrito ou por gravação oral disponibilizadas no ambiente.

Cronograma de Atividades

Quando Ação Prevista Atividades
Março, abril, maio 2008 1ª ação
  • Teinamento dos integrantes do grupo de pesquisa e profissionais da DITI envolvidos
  • Organização, seleção, estruturação e digitalização de banco de dados de estudos e pesquisas realizadas anteriormente
Junho, julho, agosto e setembro 2008 2ª ação
  • Criação, elaboração e implementação experimental do ambiente virtual
  • Apresentação dos resultados parciais no encontro de pesquisa do IFCE
  • Apresentação do 1o. Relatório a DIPPG
Outubro, Novembro e dezembro 2008 3ª ação
  • Lançamento em caráter experimental para análise do que foi proposto, devidas correções, adaptações e ajustes
  • Alimentação permanente do banco de dados
  • Apresentação de 2o. Relatório a DIPPG
Março, abril, maio, junho, julho, agosto 2009 4ª ação
  • Coleta, registro e digitalização do banco de dados informado pelos municípios durante o selo UNICEF e projeto SECULT itinerante realizado pelo Governo estadual no período 2005/2006
  • Alimentação permanente do banco de dados
  • Apresentação dos resultados parciais do trabalho no 54o. Encontro Internacional de Americanistas que ocorrerá em julho de 2009 na Cidade do México
  • Apresentação do 3o. Relatório a DIPPG
Setembro, outubro, novembro, dezembro 2009 5ª ação
  • Revisão técnica operacional e ajustes
  • Alimentação permanente do banco de dados
  • Conclusão do ambiente
  • Elaboração de material gráfico e virtual para divulgação
  • Organização do evento de lançamento, convites para autoridades educacionais, culturais e políticas
  • Lançamento oficial para as escolas públicas com divulgação compartilhada entre o IFCE, prefeitura da cidade de Fortaleza e Governo do Estado do Ceará
  • Relatório final para a DIPPG

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Referências

BOLIVAR, A. Ciudadania y escuela pública en el contexto de diversidad cultural. Revista Mexicana de Investigación educativa, vol. 9 n. 20, 5-38, março/2004. Disponível em: <http:// www.comie@unam.mx>. Consultado em 28 de Janeiro de 2008.

CANEN, A. & OLIVEIRA, A. M. A.. Multiculturalismo e currículo em ação: um estudo de caso. Revista brasileira de educação set-dez, n. 021, 60-74, 2002. Disponível em: <http://www.redalyc.com>. Consultado em 28 de janeiro de 2008.

GADOTTI, M. Indicadores de qualidade da educação escolar. Anais do Seminário O controle da qualidade da educação escolar, Recife: UNICEF, 1992.

MIRANDA, M. E.F. Calidad de la educación: escuelas efectivas. Módulo de apoyo a docência, texto não publicado entregue em sala de aula durante doutorado em Ciências da Educação na Universidad Autônoma de Asunción pela em Janeiro de 2008.

PENIN, S. T. S. A aula: espaço de conhecimento, lugar de cultura. Campinas, SP: Papirus, 1994.

SILVA, P. B. G. Diversidade étnico-cultural e currículos escolares – dilemas e Possibilidades. Cadernos Cedes, 32 (84), 25-34, 1993

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